| Regionais - ABE - PIAUÍ |
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Senhores, É MUITO árduo o objetivo de alcançar o bem está de um grupo de pessoas que convivem com o mesmo problema e mais difícil ainda se envolve o peso da discriminação, o tabu e o preconceito, como é o caso da EPILEPSIA, pois inúmeros são os obstáculos que atravessam seus caminhos, mas tão incentivadores, embora pareça paradoxal, são as dificuldades do dia a dia, pelas quais sofrem, muitas vezes choram, se segregam, e por fim, muitas vezes, diante do desespero, não vendo mais horizontes, chegando a recuar perante a própria vida, haja vista que a incidência de suicídio em pessoas com epilepsia é muito maior do que a população em geral DA ORDEM DE 4 a 10 vezes, chegando até 25 x mais na ELT (Matheus WS, Psychomatics 1981: 22(6):515-24). Diante de uma família que sobrevive com um salário mínimo, tendo que comprar medicamentos durante longos anos ou durante toda a vida para que não veja seu ente querido cair ao solo convulsivando, sacrifica o pão de cada dia dos outros membros e assim advem a triste miséria da fome e da desnutrição que enxerta cada dia mais um peso para o estado e município. Afinal apesar de não escolher idade, sexo, raça, cor, nem classe social, a epilepsia incide com maior freqüência nas classes de mais baixa renda, em decorrência da precariedade de condições de vida digna e da desinformação. AFINAL O QUE É EPILEPSIA? A palavra Epilepsia é originada do verbo grego epilambanein que significa ser tomado, atacado ou dominado, Avicena, no século 11, empregou esse termo pela primeira vez, talvez daí a idéia errada dos antigos de que fosse uma possessão divina ou diabólica originando a cultura popular da cura pela " reza".Nos tempos antigos prescrevia-se o cautério e a trepanação para dar escape aos maus espíritos , a ingestão de urina ou fezes. Essa é a prova do sofrimento e das humilhações enfrentadas pelas pessoas com epilepsia ao longo da história. A epilepsia é caracterizada por crises epilépticas ou convulsões repetidas devido a descargas elétricas anormais cerebrais e não é contagiosa e não é uma doença mental. Às vezes, a pessoa com epilepsia perde a consciência, tem abalos musculares em todo o corpo, baba e revira os olhos, mas outras experimentam apenas pequenos movimentos corporais ou sentimentos estranhos, ou ainda apenas desmaiam ou ficam fora do ar alguns segundos. Alguns apresentam crises com automatismos motores, orais, perdem a fala ou falam de forma incompreensiva. Se as alterações elétricas cerebrais anormais ficam restritas a uma parte do cérebro, a crise chama-se parcial; se o cérebro inteiro está envolvido, chama-se generalizada. No Brasil alguns termos são atribuídos a Epilepsia como Aquela Doença, entrosada, convulsão, congestão, ataque, nojenta, declarando assim uma cultura popular de mitos e medos etc. Crise epiléptica pode durar de segundos a minutos, porém
a sua repercussão pode durar uma vida inteira. Estima-se que cerca
de 3,5 milhões de pessoas têm epilepsia na América
Latina e aproximadamente 100 mil casos novos somam-se a cada ano, de cada
100 pessoas 1 a 2 têm epilepsia. Pelo menos 50% dos casos começam
na infância ou adolescência. O ministério da saúde
não tem uma estimativa real da prevalência e incidência
de epilepsia no Brasil. Na América Latina 1,5 a 2 % das pessoas
são acometidas e fazendo-se uma estimativa supõe - se que
em Teresina temos de 7.590 a 15.180 portadores e que 37.900 a 53.130 pessoas
terão pelo menos uma crise epiléptica ao longo da sua vida
em Teresina . O tratamento medicamentoso eficaz está disponível há mais de 100 anos. Com o diagnóstico e o tratamento adequados, aproximadamente 80-90% das crianças e 75 % nos adultos terão sua crises facilmente controladas com medicação de baixo custo e um mínimo de efeitos indesejados. Isso lhes permitirá acesso a uma vida inteiramente normal, desde que o diagnóstico seja feito precocemente e o acompanhamento médico seja apropriado. Por outro lado se não tratada pode levar à morte. Acredita-se que pelo menos 25% dos pacientes com epilepsia no Brasil
são portadores em estágios mais graves, ou seja, com necessidade
do uso de medicamentos por toda a vida, sendo as crises freqüentemente
incontroláveis e então candidatos a intervenção
cirúrgica. No Brasil, existem somente sete a 8 centros de tratamento
cirúrgico para epilepsia aprovados pelo Ministério da Saúde.
Apesar do progresso da ciência, as elevadas taxas de epilepsia
nos países do Terceiro Mundo, continua sendo problema de saúde
pública. Com o custo cumulativo do uso de determinadas drogas,
muitos pacientes, abandonam o tratamento. A epilepsia conta ainda com preconceitos que são decorrente de uma falta de conhecimento e da própria questão cultural que convive com as pessoas com epilepsia, seus familiares e a própria sociedade. Isso leva a repercussões sociais e psicológicas danosas como a estigmatização , os desajustes emocionais, à dificuldade de aceitação do diagnóstico e a absorção de tabus que faz com que fique injustamente muito mais pesado o diagnóstico de epilepsia levando a discriminação e a exclusão social igualmente injusta, principalmente no que se refere a obtenção de empregos, o relacionamento interpessoal, inclusão escolar /universitária, daí gerando um círculo vicioso onde a falta de informação e de condição econômica prejudica a adesão, o bem estar do paciente e o sucesso do tratamento. Todavia, a pessoa com epilepsia é capaz de profissionalizar-se
dentro de seu potencial individual e o testemunho disso é a história
mostrando grandes personagens com epilepsia, tais como: Machado de Assis,
Julio César, Sócrates, Isac Newton etc, como mostra a Dra
Elza Márcia T. Yacubian do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia
da Unifesp que escreveu o livro Epilepsia: da Antigüidade ao Segundo
Milênio - Saindo das Sombras.Em nosso meio, temos um membro da ABE-PI,
Sr Geraldo Filho que escreveu o Livro Dostoievsk e Eu, Epilepsia em nossas
vidas. A Associação Brasileira de Epilepsia com sede em São Paulo, é entidade sem fins lucrativos, que se estabeleceu como organização interessada em divulgar conhecimentos relativos às epilepsias e disposta a promover a melhora da qualidade de vida das pessoas com epilepsia, igualmente compartilha deste propósito a ABE-PI. A ABE-PI (Associação Brasileira de Epilepsia - Capítulo
Piauí) foi criada em 30 de abril de 2005 e como as outra regionais
a ABE-PI, é ligada a ABE Nacional e esta por sua vez é membro
da International Bureau for Epilepsy (IBE) desde 1998, constituindo o
capítulo Brasil. Nossa associação é composta
por médicos, neurologistas, outros profissionais da área
da saúde, pacientes e seus familiares. Os principais objetivos
da ABE são: È pretensão da ABE-PI, em nossas reuniões mensais
trabalhar com os pacientes e familiares as suas dificuldades, limitações
e a dependência tentando aumentar a auto estima, possibilitando
assim a formação de grupos para assumir seus papéis
sociais e lutar por objetivos próprios e comuns. Houve encontros extraordinários com a comissão científica para discussão da comemoração da Semana de Epilepsia, elaboração / discussão da criação do cartão e do Protocolo de atendimento para pessoa com epilepsia. Em Julho, houve encontro com grupo de Mães de crianças com epilepsia. Iniciou-se um círculo de palestras de conscientização e orientação em escolas começando no bairro aeroporto (Dra Adriana).Foi iniciado intercâmbio pela comissão de medicamento, com o setor responsável de dispensação de medicamentos especiais para epilepsia e TFD. Tendo como papel de orientar a ABE aproveita o momento e informa que: PARA MELHOR QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA COM EPILEPSIA A ABE-PI após cuidadoso trabalho de ouvir os familiares e pessoas com epilepsia, aborda em audiência pública os seguintes tópicos: A: IDENTIFICAÇÃO DA PROBLEMÁTICA DA PESSOA COM EPILEPSIA: 1- Grande demanda de epilepsia acarretando dificuldade no acesso a consulta
médica especializada no sistema SUS. B- COM BASE NOS DADOS ACIMA PEDIMOS A ATENÇÃO DAS AUTORIDADES: 1. Reconhecimento da ABE-PI como entidade de utilidade pública. CONCLUSÃO As associações e a equipe de saúde devem encorajar os pacientes a levarem uma vida normal, restringindo apenas as atividades que impliquem em riscos sérios para os pacientes e outras pessoas. Como falou D. Rejane Dias (Secretária da SASC e Coordenadora da CEID) na ocasião da inauguração da "Associação dos Portadores de Mielomeningocele e Hidrocefalia: "As ações efetivas do futuro se darão a partir do momento em que a sociedade civil se organizar". A exemplo da AACD ( Associação de Assistência A Criança Deficiente, fundada em 1950) pelo Dr. Renato da Costa Bonfim,1950 que hoje é uma grande associação e um exemplo para o Brasil, eu digo:É DE POUCO QUE SE COMEÇA.!!! "De tudo ficaram 3 coisas: a certeza que estamos começando, a certeza de que é preciso continuar, e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Façamos da interrupção um novo caminho, da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro Muito obrigado! Dra Alzira Almeida de Sousa Castro |
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